Os anos passam...
Como não podia ser diferente, as dificuldades continuavam em nossas vidas.
Eu trabalhava, mas não ganhava o suficiente para alimentar, vestir, e pagar
um colégio particular, e não conseguia vaga em nenhum outro.
Foi então que ouvi falar que haviam filas em varios colégios do Rio das Pedras,
e que a chance de se conseguir vaga era de 30% desde que a pessoa dormisse na
fila.
Então preparei algo para comer na madrugada, um lençol e fui para a fila
do Ciep.
Foram duas noites ao relento na fila ,e daqueles momentos eu tirei muitos aprendizados,eu conheci grandes mulheres, mulheres pobres e guerreiras
que não desistiram de seus filhos, não temem o frio e a fome, não deixam de lutar
e sonhar.
Aquelas duas noites foram especiais na minha vida, podia compartilhar ali a minha
estoria e chorar e sorrir com mulheres como eu.
Vitoria, consegui a vaga... Mas como não podia deixar de ser eu ainda tinha muito
que lutar, pois a vaga saiu para um colégio distante de casa, e eu teria que levar e buscar o Raphael todos os dias isso saíria caro no final do mês, quatro passagens por dia.
Eu então o levava de ônibus voltava sozinha a pé para casa, depois ia a pé busca-lo
e voltava com ele de ônibus.
Criar um filho sem pai é uma grande barra, principalmente quando se trata de uma jovem de 20 anos, muito pobre. Grávida, sem poder trabalhar tive uma alimentação précaria. Avida nunca foi facil para mim,mas enfrentei tudo de peito aberto, sem medo e com muita disposição. Todas as vezes que olhava para minha barriga, eu prometia a mim mesma que nunca, nunca deixaria meu filho perder os sonhos, e que ensinaria a ele lutar pelos seus objetivos, e que estaria ao seu lado sempre.
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